Porcolitro

Porcolitro era um leite muito safadinho, derramava sempre. Os outros litros falavam para ele: cuidado, você vai acabar sujando tudo. Mas o litro não estava nem aí, todo dia fazendo a mesma coisa. Até que um dia veio uma fada e transformou o litro em porco, num porcolitro, que protagonizou mil aventuras...



Créditos das aventuras de Porcolitro: Milton Nascimento e Maria Dolores Duarte.
As aventuras a seguir são por minha conta.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Txai*

Eu também tenho meus onomásticos. Este nasceu em um guardanapo de aniversário.


Caio
cogita e
custa a
ceder.



*dos Kaxinawá, do Acre

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Universe in disenchantment

Li certa vez na contracapa de um livro que tenho do Gabito - o "A revoada (O enterro do diabo)" [La Hojarasca] - que "todo bom romance devia ser uma transposição poética da realidade". E digo um livro que tenho, pois foi esta minha única relação com o livro, até hoje. Nunca sequer o abri. Mas gosto que ele exista ali na estante, com aquela presença cruel dos livros que exigem ser lidos.

Na semana passada, minha amiga artista, a Melissa, disse que sou muito profunda. No embaraço, concordei: em tudo percebo graça e sentido e não vejo remédio para isso. E se alguém tiver, me dê receita, porque nunca resisto em mergulhar na surrealidade cotidiana. Outro amigo, o Vi, em seu blogue 'Tempo Líquido', percebeu que há alguns recônditos do universo racional que não encontramos na sobriedade.

E o universo racional também padece de revoluções. Quando o dente da Alice ficou mole, fiz o papel de tia pedagógica para acalentar seu espanto da janelinha iminente. Vasculhei no youtube alguns vídeos para mostrar a ela que não se tratava de um momento assim tão terrível. E olha só o que encontrei: uma menina se despedindo de seu dente lácteo - como a  galáxia? - ao som de Tim Maia. Veja lá isto e me diga: só eu que achei sensacional?



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Paulianas nº1

Por tudo o que vive
ou não

os estandartes
os monumentos
os instrumentos
vãos

os elementos
os pensamentos
os movimentos
vão

Por todas as farsas
por quem crê
planta e recolhe
grãos

eu vou
perdidamente
são

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Saiu na folha.com

Vacas leiteiras podem ajudar na produção de biocombustíveis


Concordo. Mais uma vez a folha mandou dentro! Essa vida de ficar de lá para cá no pasto, tomando chuva de granizo no lombo e se espremendo em leite está fácil demais.
O mundo precisa de biocombustíveis e as vacas podem e devem ajudar! Aliás, não só as vacas, como também os cães e os porcos, os porcolitros e galinhas. E, num futuro próximo - quem sabe? - os animais selvagens.

Seria o contrário da revolução de Orwell e eu já posso imaginar a linha de produção. Os animais quem têm por habitat a periferia capitalista cuidarão das lavouras: as onças pintadas fariam a segurança latifundiária, expulsando invasores oportunistas. As jiboias sulcariam as terras com seus corpos roliços e pesados. Adestrados, beija-flores e araras germinariam o solo. Já o fazem há anos, não poderão nem nos acusar de interferir no ecossistema. Os micos-leões, ainda não sei... poderiam usar suas pequenas mãozinhas para descascar as mamonas ou separar as sementes. Apesar de que, com aquele rostinho cheio de expressões humanas em micro-miniatura poderiam chegar em um cargo de gerência. Sei lá.

Neste futuro que nos bate à porta, os peixes de água doce serão transferidos para aquários ultra modernos e interativos. Com um touch, a mulher neurótica da neocontemporaneidade escolherá sua pesca. Os rios estarão ocupados por um tráfego intenso de esquadras não tripuladas levando suprimentos do interior ao litoral. E nem maria-fumaças nem violeiros andarilhos percorrerão as velhas carcomidas ferrovias.

Nas indústrias, símios intelectualmente semelhantes a humanos substituirão seu trabalho e serão orientados por vídeo-conferências de chimpanzés. Não os novaiorquinos, aqueles arrogantes. Nem os londrinos, muito caretas! Mas talvez os sul-africanos, guatemaltecas ou hindus. E a macacada, que nunca foi boba nem nada, aprenderá a mexer os quadris seguindo o ritmo ancestral de além-mar.

Nós, humanos, não teremos com o que nos preocupar. Não haverá mais trabalho, nem exploração de semelhantes, nem a máxima especialização. Esvaziar-se-ão as faculdades e academias, ninguém mais precisará disso. Com o fim do happy hour, os botecos falirão. Bom, a evolução presume alguns prejuízos.

Analfabetas, as novas gerações trancar-se-ão em ambientes virtuais, queimarão todos os livros. Será uma era de prosperidade jamais imaginada por nossa espécie.
E ninguém se lembrará de agradecer às vacas leiteiras.